Luiz Fernando Veríssimo: Hipocondríaco

21/01/2006

Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio.
Eu tomo um remédio para controlar a pressão.
Cada dia que eu vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
Controlar a pressão é mole. Quero ver é controlar o preção.
Tô sofrendo de preção alta.
O médico mandou cortar o sal.
Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais.
Controlei também a alimentação.
Como a única coisa que tenho comido, depois do Fome Zero, é minha patroa, não tem perigo: Ela é a coisinha mais sem sal deste lado do mundo…
Para piorar, acho que tô ficando meio esquizofrênico. Sério!
Não sei mais o que é Real.
Principalmente quando abro a carteira ou pego extrato no banco.
Não tem mais um real.
Sem falar na minha esclerose precoce.
Comecei a esquecer as coisas:
Sabe aquele carro? Esquece!
Aquela viagem? Esquece!
Tudo o que o barbudo prometeu? Esquece!
Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu Time: nas últimas.
Bem, carioca é assim mesmo, já nem liga mais para bala perdida.
Entra por um ouvido e sai pelo outro.”

Luiz Fernando Veríssimo

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One Response to “Luiz Fernando Veríssimo: Hipocondríaco”

  1. Anonymous Says:

    :(( -) ( ( -( 8 [ choler beurk -p beurk aie oups love

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beurk aie oups love choler cool bloody -[) -| -D -) [ o (( -) 8 -( lol 8-) -p